Ainda não é uma rotina clínica nos hospitais, mas um paraplégico conseguiu andar 100 metros após tratamento com células-tronco, a nova esperança para acidentados e para quem tem doença degenerativa
O futuro chegou. Desde meados dos anos 1990, quando James Thomson apresentou os primeiros resultados de suas experiências com células-tronco, que se aguarda os avanços das diversas pesquisas desenvolvidas em todo o mundo e a sua materialização em tratamentos.
Agora, finalmente, parece que o futuro já começou. O major da Polícia Militar Maurício Borges Ribeiro, de 47 anos, voltou a andar depois de se submeter a um tratamento com células-tronco no Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador, na Bahia. Ribeiro sofreu uma queda durante uma viagem com a família, fraturou a coluna vertebral e perdeu a sensibilidade e os movimentos das duas pernas. A lesão era considerada irreversível, e ele passou 9 anos preso a uma cadeira de rodas. Em abril, passou por uma cirurgia e retirou células de sua própria bacia. Um mês depois, as células-tronco foram injetadas na cervical em um novo procedimento cirúrgico. Os primeiros passos aconteceram 3 meses depois. Apesar de ainda precisar da ajuda de um andador, Ribeiro já consegue caminhar cerca de 100 metros por dia durante as sessões de fisioterapia, imprescindíveis para o fortalecimento das pernas atrofiadas em função dos anos sem uso. “Depois de 9 anos, você perceber que pode se sustentar sobre as próprias pernas é uma sensação muito boa”, disse em entrevista à Agência Estado.
Ribeiro é um dos cinco pacientes já submetidos aos tratamentos experimentais no Hospital São Rafael. Segundo um dos coordenadores da pesquisa, Marcus Vinícius Mendonça, todos os pacientes apresentaram algum tipo de melhora após o tratamento, desde a recuperação parcial da sensibilidade até avanços nas funções motoras. Mas a expectativa é de que a técnica só será totalmente dominada e colocada na rotina médica nos hospitais em 5 ou 10 anos.
As células-tronco são capazes de se dividir e se transformar em qualquer outra célula ou tecido do corpo. Dessa forma, é possível retirar células-tronco de ossos ou do sangue e obter tecidos pulmonares ou cardíacos, por exemplo. “No início existia o receio de que aquela célula injetada se reproduzisse de maneira descontrolada, mas hoje já se sabe que ela se comporta conforme o ambiente em que é injetada”, explica a gerente técnica do laboratório Excellion, único autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a fazer manipulação das células-tronco para uso humano. Lá são processadas células-tronco a partir de material genético que seria descartado depois de uma cirurgia plástica ou proveniente do cordão umbilical. “Não há autorização para fazer doação de célula-tronco. Todos os tratamentos são feitos com material colhido dos próprios pacientes”, explica Rosana.







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